António Cerveira Pinto

exposições e obras — 1979-1994

[1979]

António Cerveira Pinto, 1979-80
À entrada da Galeria Nacional de Arte Moderna, Belém, Lisboa

Ernesto de Sousa, Identificación Con Tu Cuerpo, 1979
Participation of the public (on view: Mercedes Vostell, Joana Rosa, António Cerveira Pinto and Ernesto de Sousa). M V M (Museo Vostell Malpartida), Cáceres, Spain
Courtesy: CEMES

Yo casi no sé fluxus pero me gusta

SACOM 2
M V M (Museo Vostell Malpartida)
Malpartida de Cáceres
7 – 11 abril, 1979

[…] Además, se añadió la participación de varios artistas portugueses en un Concierto-Fluxus el 8 de abril con Juan Hidalgo y Vostell. Comentado por Sousa leemos: “o concerto Fluxus que organizou no teatro foi de um humor e de um rigor magníficos e a maior parte das peças foram perfeitamente assimiladas pelos habitantes da aldeia (La Pomme, 13, Sang ET Champagne, Nivea, Tousser)”. “Hidalgo trajo además a Llorenç Barber (músico, fundador del grupo Actum de Valência); Gil (artista de lãs Canárias) y Nacho Criado (artista plástico y de instalaciones de Madrid)”27.

Los participantes portugueses en ese concierto fueron: António Barros: “Ver/dade”, Ção Pestana: “Tu Boca”, Túlia Saldanha: “oblacion”, Julião Sarmento: “performer”, Ernesto de Sousa: “Fluxus”, Alberto Carneiro: “Silêncio e Vazio”, Joana Rosa: “Traspaso mi sombra” y Cerveira Pinto: “Yo casi no sé Fluxus, pero me gusta”. […]

Artistas portugueses en el Museo Vostell Malpartida (MVM) (Extremadura-España). Documentación del Archivo Happening Vostell (AHV).

Ma del Mar LOZANO BARTOLOZZI

Dois canais (II)

Expo individual
Diferença
Lisboa, 1979

Dois Canais (II), 1979
Fotografia de manifestação política, pedida emprestada ao artista Leonel Moura, vidro, televisor sintonizado por antena na RTP2

Nota: Dois canais, exposta em 1979 na exposição inaugural do ARTA (Lisboa), é o dispositivo inicial de que a obra apresentada na Diferença é uma declinação. Dois Canais é um dispositivo composto por dois televisores—ambos com imagem, ambos com as saídas reduzidas a zero, sintonizado, um, na RTP1, outro, na RTP2, através de antenas interiores.

Espera

Expo individual
Diferença
Lisboa, 1979

Espera, instalação, 1979
Um televisor ligado por antena à RTP
Portapak Sony: gravador/leitor, monitor de vídeo
Lençol de cama
Matrizes de linotipia (chumbo)
Jornais diários e semanais: Diário de Notícias, Diário de Lisboa, A Capital, Expresso e O Jornal
Recortes de imprensa sobre as eleições legislativas de 1979 recolhidos na Secretaria de Estado da Comunicação Social

Pessoas visíveis na fotografia (Esq. > Dir.): Concha, Cândida Vasconcelos, Marius Quee, José Conduto, António Cerveira Pinto, Maria João Pinto Ribeiro, Leonel Moura.
[Ver legenda da img supra. Pessoas visíveis na fotografia (Esq.>Dir.): Concha, Cândida Vasconcelos, José Conduto, António Cerveira Pinto]

[1980]

Patrícia

Patrícia, 12 dias. Vídeo bw 12 min.— 1980 [desaparecido]
(postal, verso)

Observação vídeo

Arte Portuguesa Hoje
SNBA
Lisboa, Portugal

Observação vídeo, 1980
Território. Onze câmaras vídeo, circuito fechado, ação.
Observação vídeo, 1980
Território. Onze câmaras vídeo, circuito fechado, ação.
Observação vídeo, 1980
Território. Onze câmaras vídeo, circuito fechado, ação.

Observação vídeo
, 1980
Território. Onze câmaras vídeo, circuito fechado, ação.

Observação vídeo
, 1980
Território. Onze câmaras vídeo, circuito fechado, ação.

Formol

Formol Entropia
CAPC — Círculo de Artes Plásticas de Coimbra
Coimbra, Portugal

Entropia, 1980
Território. Duas bandeiras, moldura de madeira, vidro

Formol, 1980
Território. Fotografia, impressão fotográfica, grande formato

Natureza morta, 1980
Território. Refotografia de imagem de jornal, impressão fotográfica, grande formato

Mediatable

Exposição individual
ARTA
Lisboa, Portugal

Mediatable, 1980
Território. Mesa lacada, televisão (áudio: ruído branco), zarcão
Obra destruída pelo incêndio da Galeria Nacional de Arte Moderna (GNAM), em Belém, Lisboa, Portugal, 1981

[1981]

Território n4

Exposição individual
Formol Mediatable Entropia
Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA), Lisboa, Portugal

Il fallait la raser 2
Reprodução fotográfica comercial a cores da Mona Lisa (sem bigode)
Território. Formol Mediatable Entropia, 1981

Território. Formol Mediatable Entropia, 1981
Vista geral da exposição

Formol, 1980, 1981
Cinescópio, barro, aquário, creche, formol, cone áudio
Território. Formol Mediatable Entropia, 1981

“Les Énervés de Jumièges”, E. V. Luminais (1821 – 1896), em Berlim (1981), Lisboa, 1981

Exposição individual
Diferença
Lisboa, Portugal

Les Énervés (à Berlin), 1981
Fotografia

Les Énervés (à Berlin), 1981
Fotografia

4 artistas

Cerveira Pinto Julião Sarmento Jwow Basto Leonel Moura
Cooperativa Árvore, 1981
Porto, Portugal

Do Seu e nosso ponto de vista, 1981
Duas bandeiras, quatro tubos fluorescentes

Il fallait la raser, 1981
Cauda de raposa, fotografia

My TV Set

Vídeo, 1980
[missing image]

Portuguese Video Art
Comissário: José Manuel Vasconcelos
Corroboree Art Gallery,
Iowa, USA, 1981

[1982]

Morceaux choisis au hasard

Dispositivo video, 1982
XII Biennale de Paris, 1982
Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris,
Paris, France
Comissário: José Sommer Ribeiro

[missing image]

[1983]

Território n5

Depois do Modernismo
SNBA
Lisboa, Portugal

[missing image]

[1984]

Observações sobre a cor e a recepção

Exposição individual
Galeria Cómicos
Lisboa, Portugal

[missing image]

[1986]

M.D.


[imagem em falta]

Procesos, Cultura y Nuevas Tecnologías
Museo Reina Sofía
Madrid, España

Réplica de Fresh Widow com oito hologramas do mesmo retrato de Marcel Duchamp realizado por Richard Avedon em 1923, hoje na coleção da National Portrait Gallery, do Smithsonian (EUA), que me foi enviada por José Barrias.

Coleção privada

[1989]

Página branca

[imagem em falta]

Página branca, objeto identificado como caixa de luz
Alumínio, tubos de luz fluorescente
Faculdade de Arquitectura
Lisboa, Portugal
Coleção privada

Paragoya

[missing image]

Desenhos
Loja de Desenho
Lisboa, Portugal

Frases

Sem título (da série Frases), 1989
Desenho colorido, grafite, Ecoline s/papier Arches grain fin, 300gr/m2
46x61cm

Sem título (da série Frases), 1989
Desenho colorido, grafite, ecoline s/papier Arches grain fin, 300gr/m2
46x61cm

Sem título (da série Frases), 1989
Desenho colorido, grafite, ecoline s/papier Arches grain fin, 300gr/m2
46x61cm
Coleção Centro de Arte Moderna Gulbenkian

Sem título (da série Frases), 1989
Desenho colorido, grafite, ecoline s/papier Arches grain fin, 300gr/m2
46x61cm
Coleção Centro de Arte Moderna Gulbenkian

[1990]

Chroma kai Symmetria

Exposição individual
Galeria Graça Fonseca
Lisboa, Portugal

Chroma kai Symmetria, RYB1, 1990
Dispositivo
36 Tubos fluorescentes e som de Nuno Rebelo

Chroma kai Symmetria, RYB1, 1990
Aguarela (Ecoline) s/ papel

Chroma kai Symmetria, RYB1, 1990
Dispositivo
36 Tubos fluorescentes e som de Nuno Rebelo

Chroma kai Symmetria, RYB1, 1990
Aguarela (Ecoline) s/ papel

Chroma kai Symmetria, RYB1, 1990
Dispositivo
36 Tubos fluorescentes e som de Nuno Rebelo

Chroma kai Symmetria, RYB1, 1990
Aguarela (Ecoline) s/ papel

Chroma kai Symmetria, RYB1, 1990
Dispositivo
36 Tubos fluorescentes e som de Nuno Rebelo

Chroma kai Symmetria, RYB1, 1990
Aguarela (Ecoline) s/ papel

SÉRIE COMPLETA (projeto)

Chroma kai Symmetria, RYB1, 1990-
Dispositivo
72 Tubos fluorescentes

Os Dois Filósofos

Pavilhão Portugal, Bienal de Veneza
Galeria Graça Fonseca
Lisboa, Portugal

Os dois filósofos, 1990
Oito tubos fluorescentes de luz verde
(esquema)

1991

Alguns Filósofos

Comissário: Jorge Castanho
Convento de S. Francisco e Galeria dos Escudeiros
Beja, Portugal

O filósofo branco, 1991
Quatro tubos de luz fluorescente

Quatro filósofos, 1991
Dezasseis tubos fluorescentes

O filósofo e a sua imagem, 1991
Oito tubos fluorescentes

O filósofo vermelho

Galeria Graça Fonseca
Lisboa, Portugal.

O filósofo vermelho, 1991
Quatro tubos fluorescentes de luz vermelha

O filósofo amarelo

O filósofo amarelo, 1991
Quatro tubos fluorescentes de luz amarela
Coleção Fundação de Serralves

O Filósofo inclinado

O filósofo inclinado, 1991
Quatro tubos fluorescentes de luz azul

Philadelphia Museum of Art

Graça Coutinho | António Pinto
[“In kader van Europalia ‘91, Portugese kunst in Turnhout de Warande”]
De Warande, 1991
Turnhout, Bélgica

Frases

(1991)

Sem título (da série Frases), 1991
Desenho colorido, grafite, Ecoline s/papier Arches grain fin, 185 g/m²
46x61cm

Sem título (da série Frases), 1991
Desenho colorido, grafite, Ecoline s/papier Arches grain fin, 185 g/m²
46x61cm

Sem título (da série Frases), 1991
Desenho colorido, grafite, Ecoline s/papier Arches grain fin, 185 g/m²
46x61cm

Há Um Minuto Do Mundo Que Passa
Fundação de Serralves
Porto, Portugal.

(O Filósofo amarelo, 1991)

Arte Pública | Festas da Cidade
Lisboa, Portugal.

Frases
[missing image]

História

[imagem em falta]

Historia
Revistas Time, Espelho
Galería Oliva Arauna
Madrid, España.

1992

Fundação de Serralves, um museu português
Expo ’92
Sevilha, España.

(O Filósofo amarelo, 1991)

Deuterótipos

[imagem em falta]

Centro Cultural do Alto Minho
Viana do Castelo, Portugal.

Already Made

Galeria Graça Fonseca
Lisboa, Portugal.

Tropical zoo, 1992
Comedouro com granulado, bebedouro com água e bolas para cães.

Maternidade, 1992
Fraldas Moltex

Pequena antinomia, 1992
Cubos de malha de ferro desmontáveis, bolas insufláveis.

1993

Arte Pública, Projectos & Ideias
Galeria Quadrum
Lisboa, Portugal.

After a car accident, 1993
[falta imagem — em atualização]

Dissertação sobre o crime
Galeria Graça Fonseca
Lisboa, Portugal.

[falta imagem — em atualização]

Arte Portuguesa
Auditório de Galicia
Santiago de Compostela, España.

(O filósofo amarelo, 1991)

[falta imagem — em atualização]

1994

Dissertação sobre o Crime (II)
Galeria Diferença
Lisboa, Portugal.

[falta imagem — em atualização]


ANTÓNIO CERVEIRA PINTO
Duas obras iniciáticas

Dois canais [1], 1979
Ampliação fotográfica de uma manif. (emprestada por Leonel Moura), dois televisores sintonizados na RTP1 e na RTP2, ambos sem som. Exposição coletiva inaugural do espaço ARTA, 1979.

Espera, 1979
Instalação composta por um lençol de casal, um televisor sintonizado na RTP1, confrontado por um monitor de vídeo mostrando uma jovem vendo televisão, recortes de jornais afixados nas quatro paredes da sala, jornais acumulados num dos cantos da sala, tipos de chumbo acumulados noutro canto.

Dois Canais [2], 1979
Ampliação fotográfica de uma manif. (emprestada por Leonel Moura), vidro, televisor, sintonizado na RTP2 — sem som. Esta declinação da obra inicialmente apresentada no ARTA integra apenas um televisor. Exposição individual na Diferença, 1979.

Dois canais [3], 2025 [iteração]
Ampliação fotográfica digital do assalto ao Capitólio. Televisores sintonizados na RTP1 e na SIC.
Exposição coletiva, Centro de Arte Oliva, 2026.

Nota autobiográfica

O autor destas instalações interrompeu, em 1976 — após um processo de expulsão —, a sua participação ativa no processo revolucionário que derrubara a ditadura. Até então fora militante e dirigente trotskista da Liga Comunista Internacionalista (LCI)¹. No vazio político e existencial que se seguiu, regressou à sua vocação artística, presente na sua vida desde a adolescência, procurando simultaneamente um meio de subsistência. Com o apoio de Cláudia Batarda e Lisa Chaves Ferreira, empregou-se como vitrinista no Palácio Foz, então sede da Direção-Geral da Ação Cultural, dirigida por Eduardo Prado Coelho².

Mais tarde, voltou a inscrever-se no curso de Arquitetura da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, que, contudo, não chegou a frequentar. É neste período de transição que apresenta a sua primeira exposição individual, em fevereiro de 1979, na Livraria-Galeria Opinião, acompanhada do manifesto Reflexões sobre arte, publicado no Diário Popular³.

Durante esta exposição, conhece José Barrias, Leonel Moura e Ernesto de Sousa. Nesse mesmo ano participa na mostra de arte portuguesa organizada pelo Museo Vostell-Malpartida (MVM), em Malpartida de Cáceres⁴. Inaugura, no seu estúdio de Lisboa, no mesmo ano, a convite de Leonel Moura, o projeto ARTA, que levou a cabo várias exposições, com artistas portugueses e de outras nacionalidades. Nestas participaram mais de uma dezena de artistas portugueses, entre os quais destaco Álvaro Lapa, António Palolo, Gaëtan, Helena Almeida José Barrias, Julião Sarmento, Leonel Moura, e eu próprio.

A 2 de dezembro de 1979 realizaram-se as eleições legislativas que deram maioria absoluta à coligação de direita Aliança Democrática (PSD, CDS, PPM), liderada por Francisco Sá Carneiro. Esta campanha eleitoral foi o leitmotiv de Espera.

O governo socialista de Mário Soares caíra em 1978, sendo sucedido por executivos presidenciais sem apoio parlamentar estável. Face a esta crise, o Presidente Ramalho Eanes dissolveu o parlamento em julho de 1979 e convocou eleições intercalares. Entre agosto e dezembro desse ano, Maria de Lourdes Pintasilgo tornou-se a primeira mulher a chefiar um governo em Portugal.

A vertente política de grande parte das obras realizadas nas décadas de 1980 e 1990 tem, assim, uma raiz biográfica evidente. As referências que antecedem as suas indagações e experiências artísticas remontam ao Maio de 68, à Guerra do Vietname e ao diálogo pessoal com Álvaro Lapa, bem como ao diálogo mediado pela obra de artistas como Jackson Pollock, Robert Rauschenberg, Mark Rothko, Kazimir Malevich, Serge Poliakoff e Marcel Duchamp⁵.

Ironicamente, as datas destas três obras coincidem com o início do súbito “regresso à pintura” que marcaria a arte europeia e norte-americana ao longo da década de 1980. Reapareceram então uma pintura e uma escultura de novo plásticas, figurativas e subjetivas, que afastaram, sobretudo das galerias comerciais e das feiras de arte, a até então dominante tendência minimalista e conceptual afirmada desde os anos 1970. Essa viragem (temporária), marcada pelo abandono das chamadas “dicotomias felizes” (figurativo versus abstrato; académico versus experimental; sensorial versus conceptual; hot versus cool, etc.), recebeu o nome genérico de pós-modernismo. Este ecletismo instituiu um novo consenso artístico que perdurou até hoje — isto é, até ao fim do primeiro quartel do século XXI —, mesmo quando assimilado pelo maremoto das chamadas “causas fraturantes”: o novo feminismo, os movimentos LGBT+, o discurso pós-colonial, o antirracismo e o ambientalismo catastrofista — todos eles a atravessar, de forma transversal, a praxis cultural contemporânea.

Curiosamente, uma das maiores preocupações teóricas e operacionais da Inteligência Artificial, campo por onde o meu trabalho teórico, político e artístico tem transitado desde 2023, é justamente a de saber como ensinar as máquinas a sentir.

António Cerveira Pinto
14 de outubro de 2025


Notas

  1. Organização trotskista portuguesa fundada em 1973 e legalizada após o 25 de Abril.
  2. Eduardo Prado Coelho (1944–2007), ensaísta e professor universitário, dirigiu a DGAC durante o período de consolidação das políticas culturais pós-revolucionárias.
  3. Reflexões sobre arte, Diário Popular, Lisboa, 1979.
  4. Museu criado por Wolf Vostell em 1976, dedicado à arte experimental e às poéticas do Fluxus.
  5. A distinção entre diálogo pessoal (com Álvaro Lapa) e diálogo estético (com os restantes artistas) pretende clarificar a origem das influências conceptuais e referenciais.