O mundo é tudo! Filósofos e outras máquinas


Fórum da Maia, 23 de julho a 13 de setembro de 2026

Big Bang? [monumento ao universo], 2026

Artista, escritor e curioso, António Cerveira Pinto é uma figura central e frequentemente pioneira na análise crítica das instituições e dos fundamentos da arte contemporânea em Portugal. Iniciada em 1979, a sua obra cruza o rigor conceptual com a inquietação política, estando presente em coleções de referência como as da Fundação Calouste Gulbenkian, Museu de Serralves e Museu Coleção Berardo.

Ao longo de cinco décadas, construiu um corpo de pensamento ímpar, com mais de três mil textos publicados sobre arte, tecnologia e sociedade. Do experimentalismo da Aula do Risco aos projetos tecnológicos de vanguarda na Expo’98, a sua atividade estende-se da curadoria à curiosidade, sobressaindo, desde 2022, a experimentação artística que vem desenvolvendo com a Inteligência Artificial.

Vive e trabalha entre Bruxelas, Porto e Lisboa, mantendo uma prática assídua de interrogação do mundo, pela imagem e pela palavra.

Sinopse da exposição

Reúne obras desde 1979 até à atualidade

Da centena de obras a expor no Fórum da Maia, algumas das quais fazem parte de longas séries — como Frases —, ou se prolongam no sítio web desenvolvido para este efeito, as primeiras, reunidas na Parte I da exposição (Declinações e Ceci n’est pas une peinture), formam uma antologia marcada pela arte conceptual e pelas tensões que esta suscita.

A Parte II inclui várias ideias-projeto, tais como:

Democracy Maps (2012-) (Mapas de Democracia)

Segunda Cidade (2016-17)

Text-to-image (2022-)

Big Bang? (2025-)

Museu dos Provérbios (2012-)

Lagar das Lendas (2026-)

Parlamento dos Outros (2025-)

Vers une Internationale Symbiotique (2025-)


No Parlamento dos Outros, as lebres têm um lugar especial!

Uma das suas séries mais emblemáticas e polémicas, Frases — apresentada na Bélgica (Europalia ’91) e, posteriormente, na primeira Mostra de Arte Pública em Lisboa, sob curadoria de Miguel Portas — é um projeto transversal que continua. Esta série demonstra como, neste autor, a escrita sempre correu a par das suas imagens: o pensamento oral e escrito interroga a imagem, e esta, por sua vez, resiste à teoria.

António Cerveira Pinto é, na definição que faz de si mesmo, um ‘artista crítico’ que explora, desde finais dos anos 70 do século XX, as fronteiras entre pensamento e sensibilidade, entre filosofia, ciência e arte — da ambiguidade da palavra à hesitação do pensamento, relevando sempre a qualidade subjetiva das coisas vistas e sentidas. A ciência que deu lugar à revolução tecnológica, acompanhando a Revolução Industrial e o pós-industrialismo, é um dos principais focos de interesse deste também leitor atento.

Ler, a este propósito, o poema conceptual que abre o livro a publicar por ocasião da exposição no Fórum da Maia.

Ainda a propósito desta exposição, diz o autor:

“…mas depois sobrevém o espanto de chocar com Piero della Francesca, Caravaggio ou Velázquez, com Cézanne, Manet ou Van Gogh, com o quadrado negro de Malevich, a grande pintura abstrata de Rothko, Newman e Pollock, o experimentalismo incessante de Rauschenberg, ou os muros de Richard Serra. Em Bruxelas, por sinal, redescobri Magritte!”

Imagens para uma exposição

António Cerveira Pinto
Naked singularities? Inflationary cosmology (Big Bang) vs Granular Spacetime Sphere Theory (GSST)
Text_to_image speculation
[G Receção]

If God exists, He has no beginning or end. That’s how we can conceptualise the idea of infinitude: not just one Big Bang, no inflationary stage, not just one implosion. We can postulate many big bangs, but these are only empirical demonstrations of a larger picture, which is more an act of language, or the kind of subjectivity born from concrete subjectivity.

Read the entire text of one of my early conceptual interactions with AI
LINK

António Cerveira Pinto
Big Bang?, 2025
[G Receção]
António Cerveira Pinto
Big Bang?, 2025
[G Receção]

António Cerveira Pinto
Tive um sonho, 2026 [Patrícia 12 dias, 1980]
[G1a]

Esta noite sonhei que percorria uma grande exposição num museu importante, mas indefinido no nevoeiro das imagens. Três ou quatro salas exibiam obras de arte conceptual. Eu estava ali, na inauguração, no meio de outros artistas, jornalistas, críticos, diretores de museus e de galerias e da maioria dos colecionadores de arte portuguesa. Os sorrisos, abraços e beijinhos da praxe eram acompanhados de olhares cúmplices ou de surpresa. O motivo desta deferência, levemente irritante, era o facto de eu estar representado na exposição (segundo me disse quem me quis fazer a surpresa) com várias obras dos anos 80 do século passado, entre uma maioria de obras de outros autores da década de 90 e das duas primeiras deste século.

À medida que as obras me eram mostradas, uma sensação estranha entrava por mim adentro: não as reconhecia como minhas, salvo um postal preto e branco de um vídeo há muito perdido e que levava o título “Patrícia, 12 dias”, 1980. Não conseguia mesmo lembrar-me daquelas obras como sendo minhas. No dia seguinte fui acompanhar uma visita guiada à exposição. Precedia-me uma das suas curadoras. Foi então que percebi que todas as obras expostas naquela espécie de secção conceptual da exposição eram, de facto, obras recentes de artistas mais jovens, que desconhecia, ou mal conhecia, à exceção de um amigo de longa data. O meu postal estava, aliás, colocado entre as obras deste meu amigo, em geral de grande dimensão. De Alzheimer, portanto, não sofro!

Esta exposição de obras conceptuais, ou pós-conceptuais, como geralmente se designam as que são posteriores à década de 70 do século XX, toda ela monocromática, não poderia ter tido um impacto mais favorável no meu subconsciente. Por isso acordei e consegui fixar o sonho. A vantagem dos sonhos é, na realidade, esta: não têm cores. Obras de arte, arquitetura e público, tudo vagamente a preto e branco, sem cor.

Sonhamos geralmente em preto e branco. Só uma vez me saiu debaixo da cama, disparada, uma bola de carne ensanguentada e viva. Creio que é assim porque, no subconsciente, nomeadamente nos sonhos, não há perceção, mas apenas memórias da perceção: memória da cor, portanto, mas não a cor propriamente dita, a qual só pode ser sentida presencialmente, através dos olhos em diálogo com os neurónios. Podemos descrever a qualia, mas, para sermos exatos na descrição, temos de mostrar o que queremos explicar.

Nós podemos atribuir códigos às cores — na realidade, quase tantos códigos quantas cores chegam aos nossos olhos — e, assim, saber qual batom condiz com a preferência da nossa amante. Sem estes números, porém, é praticamente impossível termos a certeza, diante de um mostruário da Lancôme, do batom usado pela mulher que amamos. Talvez seja por um mecanismo semelhante que os neurónios conseguem, apesar de tudo, memorizar a cor, mas, tal como raramente disparam sensações cromáticas nos sonhos, o mesmo ocorre no pensamento. Posso pensar no vermelho, mas não vejo, não sinto o vermelho como resultado do seu enunciado verbal interior.

Mas, se é assim, se sonhamos invariavelmente sem sensações cromáticas, por que são tão importantes na criação artística? Uma hipótese verosímil é a de que a sua força é eminentemente conceptual.

Os sonhos coloridos são, portanto, pastiches.

Os sonhos, pela sua natureza cerebral estrategicamente ativa, deveriam, em suma, ter um lugar no Parlamento dos Outros.

António Cerveira Pinto
Eu, 2025-2026
Madeira, espelho
[G1a]

António Cerveira Pinto
Frases, 1991
[G1c]

FRASES (1989 – 2026)

Obras a expor no Fórum (23)

uma obra no museu
bodegón
the syndrome of Alfred Leslie
blockbuster curatorial activity inc.
!hola señor Thyssen!
good morning, Mr Saatchi
Il fallait la raser
this is a time-consuming image
still life
tableau entier
proposição muda
o mundo manifesta-se na linguagem
as pedras duram um pouco mais
the silence of my trappist friend …
o mundo sem os pobres seria uma utopia
o ar livre será para os ricos
o ar-condicionado será para os pobres
quanto mais ganhas, mais trabalhas
o branco não é transparente porque reflete
uma frase de dimensão n
a minha cabeça manda, às vezes
o mundo é tudo!
um duche bem quente antes de morrer

Obras (frases) a incluir do catálogo (148)

BLOCO 1: O MUSEU E A INSTITUIÇÃO

¡hola, señor Thyssen!
¿y las meninas, qué hacen?
an art object in a museum behaves like a totem without its tribe
art museums are at the top tier of capitalism and metaphysics
blockbuster curatorial activity inc.
museus de arte e cemitérios têm algo em comum
o museu é um teatro anatómico
uma obra de arte num museu é um cadáver
uma obra de arte num museu é um fóssil (muito útil para filósofos e historiadores)
uma obra no museu
visitar um museu é como assistir a uma lição de anatomia
yo casi no sé fluxus, pero me gusta
رسم / لوحة (pintura)
نظير (nadir)
عيون (olhos)
آذان (ouvidos)

BLOCO 2: O MUNDO E O CASO

antes de ser não era
l’avenir dure longtemps (Althusser)
les faits (Althusser)
não há nada mais mortal do que a vida
não me lembro de ter morrido
o mundo é tudo o que é o caso
o mundo é tudo!
o mundo manifesta-se na linguagem
o mundo sem os pobres seria uma utopia
o mundo sem os ricos seria mais pobre
o mundo terminará inexoravelmente em ruínas
o mundo vai acabar amanhã
o real é a fixação de uma hipótese experimentada
olhar para trás pode causar vertigens
overshoot and collapse
there’s nothing more lethal than life itself
موت (morte)
أرض (terra)
أفق (horizonte)
عدم (nada)
لانهاية (infinito)
جحيم (inferno)

BLOCO 3: A LINGUAGEM E O SENTIDO

a linguagem é uma representação partilhada da minha relação com a luz, as vozes da matéria e os outros
as boas frases têm três dimensões
escrevi a um surdo: o que é um ruído?
in advance of an absent mind:
perguntei a um cego: “o que é a luz?”
proposição muda
quantas dimensões tem uma frase?
uma boa frase pode ter apenas uma dimensão
uma frase de dimensão n
uma frase sublime vive na quarta dimensão
uma frase visível tem sempre, pelo menos, duas dimensões
Wit witt Wittgenstein!
معنى (significado 1)
مفهوم (significado 2)
قصد (significado 3)
دلالة (significado 4)
مضمون (significado 5)
مغزى (significado 6)
رقم (número)

BLOCO 4: SOCIEDADE E POLÍTICA

a escravatura é um problema contemporâneo
a escravatura não é uma opinião sobre a história
good morning, Mr Saatchi!
i believe in democracy
i believe in freedom
i don’t like dictators
o ar condicionado será para os pobres
o ar livre será para os ricos
o capitalismo é intrinsecamente de esquerda, não prospera na pobreza
o dinheiro não é para comer, salvo se for uma libra de chocolate
quanto mais ganhas, mais trabalhas
we are all murderers and prostitutes
سلام (paz 1)
سكينة (paz 2)
صلح (paz 3)
أمان (paz 4)
حرب (guerra)
رجل (homem)
امرأة (mulher)
ولد (rapaz)

BLOCO 5: LUZ E ORIENTAÇÃO

a água encontra sempre o seu caminho
a arte está acima da ciência porque a ciência é provisória e a arte não
as máquinas, como os anjos, não têm sexo
as pedras duram um pouco mais
black is black, not death
brève histoire d’un meurtrier (althusser)
este negro é preto
este preto é negro
interspecies and gender issues have always been part of human mythologies
o branco não é transparente, porque reflete
on ne voit pas que lumière
the definition of light is meaningless to any dead body
شمال (norte)
جنوب (sul)
شرق (Oriente)
غرب (Ocidente)
نور (luz)
ضوء القمر (luar)
قمر (lua)
غروب (pôr-do-sol)

BLOCO 6: ESTÉTICA E PENSAMENTO

a arte não investiga, salvo a sua própria condição, possibilidades e meios de expressão
a arte sobrevive à usura do tempo
art is what people pay for as art
arte e moda estão intimamente ligadas
bodegón
contemporary art is so twentieth-century!
do you believe in reality?
impression, tableau levant
isto é uma brincadeira
less is coming
less is more (cynical proposition)
nature morte
still life
tableau entier
this is a time-consuming image
untitled
فلسفة (filosofia 1)
حكمة (filosofia 2)
فكر (filosofia 3)
فكرة (ideia 1)
تصور (ideia 2)
موسيقى (música)

BLOCO 7: O CORPO E O ONÍRICO

a minha cabeça manda, às vezes
a mortalidade sobe exponencialmente com a idade
e eu, aqui, à janela… (para o meu amigo, Zé Barrias)
ela. tem. calor. e. tu?
il fallait la raser…
know no gods
knowledge, not gods
no more
o sono profundo nas antípodas do conhecimento; no meio, a consciência
são os ácaros do progresso!
sou português de coração e raça
testosterone is the male second blood
the silence of my trappist friend…
the syndrome of Alfred Leslie
نوم (sono)
حلم (sonho)
رؤيا (sonho-visão)
كابوس (pesadelo)
ظل (sombra)
جنس (sexo)
يد (mão)
قدم (pé)
نهر (rio)
بحر (mar)
سمك (peixe)
حمار (jumento)
نعناع (menta)
زهرة (flor)
(olá!) أهلاً

António Cerveira Pinto
On post-photography, text-to-image, cars, 2023
[G1d]

António Cerveira Pinto
On post-photography, text-to-image, capital punishment, 2026
[G1d]

António Cerveira Pinto
Onze estudos para um monumento à teoria, 2026
[G1d]

António Cerveira Pinto
Onde estudos para um monumento à teoria, 2026
[G1d]

António Cerveira Pinto
Chroma kai Symmetria, 1992
Galeria Graça Fonseca
[G2]

Vista de uma das 4 paredes da instalação de 1992. A declinação de 2026 será produzida com tubos LED (pseudo-fluorescente)

António Cerveira Pinto
Dois canais, 1979, 2026
Zapping, Centro de Arte Oliva, SJM
[G3]

António Cerveira Pinto
Dois canais, 1979, 2026
Zapping, Centro de Arte Oliva, SJM
[G3]

António Cerveira Pinto
Espera, 1979, 2026
Zapping, Centro de Arte Oliva, SJM
Vídeo
[G3]

António Cerveira Pinto
O filósofo branco, 1992, 2026
[G5z2]

António Cerveira Pinto
Entropia, 1980
CAPC, Coimbra [G3]

António Cerveira Pinto
dragAlbers, 2003, 2025.
One of my first online interactive sketches (lost).
Published on January 8, 2003.
Retrieved from Wayback Machine.
Recoded by Perplexity and me.
Brussels, Wed 23 Jul 2025
This Albers-like composition can be deconstructed into suprematist and neoplasticism compositions.
Feel free to explore this art toy (LINK).
António Cerveira Pinto
dragAlbers, 2003, 2025.
One of my first online interactive sketches (lost).
Published on January 8, 2003.
Retrieved from Wayback Machine.
Recoded by Perplexity and me.
Brussels, Wed 23 Jul 2025
This Albers-like composition can be deconstructed into suprematist and neoplasticism compositions.
Feel free to explore this art toy [LINK].

António Cerveira Pinto
Tropical Zoo, 1992
Galeria Graça Fonseca, Lisboa
[G1d]

António Cerveira Pinto
Parlamento dos Outros. Museu dos Provérbios. Erasmo de Roterdão. Adagia (1500), 2025
[G1d]
António Cerveira Pinto
Parlamento dos Outros, Museu dos Provérbios, Pieter Bruegel, o Velho. Provérbios Flamengos (1559), 2025
[G1d]

António Cerveira Pinto
Parlamento dos Outros, Lebres Constituintes, 2025
[G1d]
António Cerveira Pinto
Parlamento dos Outros, Lebres Constituintes, 2025
[G1d]
António Cerveira Pinto
Parlamento dos Outros, Lebres Constituintes, 2025
[G1d]
António Cerveira Pinto
Parlamento dos Outros, Lebres Constituintes, Monumento, 2025
[G1d]

António Cerveira Pinto
Text-to-image, digital freaks, 2023
[G1d]
António Cerveira Pinto
Text-to-image, digital freaks, 2023
[G1d]
António Cerveira Pinto
Text-to-image, digital freaks, 2023
[G1d]
António Cerveira Pinto
Text-to-image, digital freaks, 2024
[G1d]
António Cerveira Pinto
Text-to-image, digital freaks, 2025
[G1d]
António Cerveira Pinto
Text-to-image, digital freaks, 2023
[G1d]
António Cerveira Pinto
Text-to-image, digital freaks, 2023
[G1d]
António Cerveira Pinto
Text-to-image, digital freaks, 2023
[G1d]

Workshop

ARGILA > ALGORITMO > IA

Uma genealogia da vanguarda feminina

Por: António Cerveira Pinto
Data: 5 de setembro de 2026
Duração: 1 dia
Máximo de participantes: 15

Conceito

A vanguarda nas práticas artísticas não é um lugar novo; é o lugar onde as mulheres sempre estiveram.

Da manipulação da terra pela Oleira Ciumenta à “Ciência Poética” de Ada Lovelace.

Do trabalho invisível em Bletchley Park ao pioneirismo vocal de Laurie Anderson.

Este workshop propõe o uso da IA não como automação, mas como ferramenta de reparação e de expansão do pensamento crítico. A tecnologia é uma matéria moldável e a IA a sua mais recente companheira de viagem.